Por ser invasora a espécie pode representar riscos ao meio ambiente e disseminação de doenças, caso haja fuga ou soltura inadequada
O Centro de Estudos de Venenos e Animais Peçonhentos (Cevap), da Unesp de Botucatu recebeu 41 serpentes corn snake, também conhecidas como cobras-do-milho, e 264 ovos da mesma espécie, numa operação realizada pela Polícia Militar Ambiental, em Assis.
Essa espécie de animal considerada exótica e tem origem nos Estados Unidos, estava em poder de um homem que mantinha os animais em cativeiro e os ovos numa incubadora artesanal improvisada. Crime ambiental resultou numa multa de R$ 20,4 mil ao infrator.
De acordo com dados colhidos junto ao boletim de ocorrência (BO), a PM recebeu a informação de que os[CdM1] animais chegavam até a casa do indiciado, via Correios. Ao receber voz de prisão, o homem não ofereceu resistência.
Serpente invasora
A corn snake (Pantherophis guttatus), conhecida no Brasil como cobra-do-milho, é uma serpente não peçonhenta (sem veneno), de origem na América do Norte, comum nos Estados Unidos e no México.
A espécie pode atingir 1,5 metro de comprimento e viver entre 15 e 20 anos. Segundo veterinários, a serpente é geralmente calma, dificilmente ataca e não possui veneno funcional. Recebe esse nome por ser frequentemente encontrada em áreas rurais, como plantações e celeiros, onde se alimenta principalmente de roedores, ajudando no controle dessas populações.
A espécie é noturna e dócil, utilizando a constrição para capturar presas. Essa serpente invasora, por não ocorrer naturalmente no Brasil, encontra condições favoráveis para se reproduzir e se estabelecer.
A criação, reprodução ou comercialização sem autorização dos órgãos ambientais é proibida e configuram crime ambiental. Em cativeiro irregular, a espécie pode representar riscos ao meio ambiente, como desequilíbrio ecológico e disseminação de doenças, caso haja fuga ou soltura inadequada.
Animais exóticos
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) é responsável por regulamentar e controlar a venda de animais exóticos.
Quem possui um animal exótico legalizado, mas desistiu de criar, pode entrar em contato com o órgão estadual de meio ambiente, batalhão ambiental ou Ibama, ou ainda com algum Zoológico. O animal não deve ser solto na natureza, especialmente em áreas de proteção ambiental.
Segundo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), em caso de soltura irregular, a espécie pode se estabelecer, se reproduzir e causar diversos problemas. Além disso, a soltura de espécie exótica é crime ambiental e é considerada uma forma de introdução de espécie exótica.
