Diego Sansalone responderá por homicídio qualificado, feminicídio, homicídio tentado contra menores de 14 anos e sequestro
Júlia Gabriela denunciou o ex-companheiro várias vezes ao longo dos últimos cinco anos e o último pedido de medida protetiva foi negado na véspera do ataque
Uma reportagem publicada pelo Portal G1, revela que Júlia Gabriela Bravin Trovão, de 29 anos, morta após um ataque a tiros no último sábado (21) em Botucatu, havia registrado 10 boletins de ocorrência contra o ex-companheiro, Diego Sansalone, de 38 anos, suspeito do crime. Ela também pediu três medidas protetivas ao longo dos anos, mas apenas uma foi concedida pela Justiça.
Júlia Gabriela denunciou o ex-companheiro por ameaça, injúria e descumprimento de guarda ao longo dos últimos cinco anos. O último pedido de medida protetiva foi negado na véspera do ataque, ocorrido no sábado (21), em Botucatu (SP).
No dia do ataque, Júlia e o atual companheiro, Diego Felipe Corrêa da Silva, de 34 anos, Fora baleados dentro do carro em que estavam, na Avenida Cecília Lourenção, no Residencial Ouro Verde. Diego Felipe morreu no local. Júlia foi socorrida em estado grave, mas não resistiu aos ferimentos e morreu na terça-feira (24).
Os dois tinham filhos de outros relacionamentos. Júlia era mãe de um menino de 8 anos, filho do suspeito. Diego Felipe era pai de uma menina de 7 anos. As duas crianças estavam no veículo no momento dos disparos, mas não foram atingidas.
Registros
Os primeiros registros de Julia contra Diego Sansalone datam de maio de 2021, quando ela formalizou boletim por ameaça e injúria contra o ex-companheiro. O caso acabou arquivado pela Justiça.
Na sequência, outros 9 boletins foram registrados ao longo dos últimos cinco anos. Os casos envolvem crimes como ameaça, injúria, difamação, dano e descumprimento da guarda compartilhada do filho.
Em outubro de 2022, Diego Sansalone chegou a ser preso por não pagamento de pensão alimentícia, sendo liberado após quitar o débito.
Dois pedidos de medida protetiva feitos por Júlia foram negados pela justiça, incluindo o mais recente, solicitado na sexta-feira (29), véspera do crime. O outro havia sido negado em outubro de 2025. Apenas um pedido, feito em abril de 2022, foi aceito e teve duração de 90 dias.
Cronologia das ocorrências
- 25/05/2021 – Ameaça e injúria;
- 10/11/2021 – Ameaça;
- 08/04/2022 – Injúria e dano (segundo o registro, Diego teria danificado a maçaneta do carro de Júlia). Na ocasião, foi solicitada medida protetiva, concedida por 90 dias;
- 15/06/2022 – Ameaça;
- 20/11/2022 – Injúria e desobediência por descumprimento da guarda compartilhada;
- 10/2022 – Prisão de Diego por não pagamento de pensão alimentícia, após registro de boletim. Ele foi solto após quitar o débito;
- 24/07/2025 – Difamação e injúria;
- 13/10/2025 – Boletim não criminal por descumprimento da guarda compartilhada;
- 17/10/2025 – Registro não criminal por incidente de trânsito. Houve pedido de medida protetiva, negado pela Justiça;
- 19/02/2026 – Ameaça e vias de fato (empurrão), dois dias antes do crime. Novo pedido de medida protetiva foi negado na sexta-feira (20), véspera do ataque.
Além disso, três boletins de ocorrência envolveram o nome de Júlia como parte denunciada. Dois foram registrados por Diego Sansalone, em dezembro de 2022, sob alegação de que ela não utilizava cadeirinha para transportar o filho no carro. Em outubro de 2025, ele também registrou ocorrência por suposto descumprimento da guarda compartilhada.
Júlia e o ex-marido Diego Sansalone terminaram em 2021, depois de quatro anos de relacionamento e um filho. Segundo amigos e parentes, ele não aceitava o fim da relação nem o novo relacionamento da ex-mulher.
O crime
O crime ocorreu na Avenida Cecília Lourenção, no Residencial Ouro Verde. Segundo a polícia, o suspeito atirou diversas vezes contra o carro onde estavam Júlia, o atual companheiro dela, Diego Felipe Corrêa da Silva, e as duas crianças.
Após ser baleado, Diego Felipe perdeu o controle da direção e bateu contra um poste. Ele morreu no local. Júlia foi socorrida, mas morreu três dias depois no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (HCFMB). Depois dos disparos, o suspeito retirou o próprio filho do veículo e fugiu com a criança.
Após a fuga, Diego Sansalone foi preso no fim da tarde de domingo (22) em uma estrada rural entre Botucatu e Pardinho. Segundo a polícia, não houve resistência e ele confessou o crime. A criança passou a noite com o pai e foi levada à Polícia Civil pelo avô paterno, pai do suspeito, também no domingo.
Antes de localizar o suspeito, ainda no sábado, a Polícia Militar esteve na casa dele, no bairro Recanto Azul, mas não encontrou ninguém. O imóvel estava aberto e com as luzes acesas. No local, foi encontrada uma caixa de pistola calibre 9 milímetros aberta, com estojos de munição deflagrados. Diego Sansalone é registrado como Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC).
O caso foi registrado inicialmente como homicídio qualificado, tentativa de feminicídio, tentativa de homicídio contra menores de 14 anos e sequestro. Com a morte de Júlia, o crime passa a ser investigado como feminicídio.


Júlia Gabriela e Diego Felipe tinham filhos de outros relacionamentos que estavam no carro no momento do ataque
